Minha infância foi normal. Acho. Ia a escola, jogava futbol e
outras brincadeiras de criança. Assim cresci.
Pai ausente , pois só pensava em seu trabalho, chegava em
casa cansado e pouca atenção me dava, mas era um bom homem . Talvez por ter
delegado a tarefa de educar à minha mãe, não se importava por meus assuntos. Já
minha mãe cuidava da casa e para ajudar financeiramente costurava pra fora, e
com esses afazeres permitia que eu ficasse o tempo todo na rua, brincando com
os amigos. O tempo foi passando e eles nem perceberam que eu estava crescendo e
chegando a adolescência e com ela a minha curiosidade por coisas que não eram
boas. Um amigo me ensinou a fumar, e com 13 anos já me juntava a um grupo de
rapazes fazendo vaquinha para comprar cigarros. Fui crescendo e outras coisas
surgiram, experimentei a maconha da qual não me livrei mais, parei de estudar e
ficava o dia todo na rua. Minha mãe pedia pra que eu ficasse mais tempo em
casa, porem sua autoridade já não mais tinha efeito, eu a respeitava , mas não
conseguia ficar sem tal adrenalina. Aquela sensação de poder e de alegria
trazida pela maconha me fazia bem, me dava coragem, tornava-me um homem, vez ou
outra fazia um bico e conseguia dinheiro para meu vicio.
Certo dia, um rapaz que havia vindo não se sabe de onde,
ofereceu àquele nosso grupinho uma balinha de cocaína e nos ensinou a cheirar.
Nossa foi um êxtase total, nunca havia sentido tal sensação, flutuei, vi
coisas, o ar fluía pelos meus pulmões como uma ventania deverão,que maravilha.
No dia seguinte ele voltou e novamente pudemos experimentar aquele elixir que
nos carregava para outros mundos onde tudo podia, e tudo nos era possível. Mas
no terceiro dia, La estávamos esperando o tal rapaz, precisávamos sentir tudo
aquilo novamente, sabíamos que não era legal, mas achávamos que conseguiríamos parar
e isso não nos faria falta. Bom o rapaz chegou e tinha varias balinhas, mas
disse que não poderia nos dar sem que pagássemos. Ninguém tinha dinheiro, então
disse que sabia onde minha mãe guardava o dinheiro das costuras, e encorajado
pelos amigos fui em casa e peguei, não tudo, somente o suficiente para aquela
vez, pois não me tornaria um ladrão, e ainda mais de minha própria mãe. No
outro dia um amigo arrumou o dinheiro, não sei como , mas também não me
interessou, e novamente fizemos uso da cocaína, e durante um bom tempo um ou
outro arrumava dinheiro para a droga. Certo dia , ninguém havia conseguido
dinheiro, estávamos desesperados, o rapaz nos ofereceu fiado e disse não ter
problema, poderíamos pagar outro dia, e assim vínhamos fazendo, já não podíamos
ficar sem a coca, quando o efeito passava me sentia fraco, ficava irritado com
qualquer coisa,brigava muito com meus pais, os ofendia cheguei até a agredi-los
, eu já estava com 17 anos , não trabalhava e só queria saber de me divertir.
Conheci uma moça e começamos a namorar, ela não sabia que eu
usava drogas, eu procurava esconder esse vicio. Ela engravidou e eu não quis
assumir e nós nos separamos .
Os momentos de depressão foram piorando a cada dia, eu precisava
mais coca, o traficante estava no meu pé , pois queria receber, eu que não
admitia roubar meus pais , não resisti e comecei a roubar, sim haviam momentos
de lucidez e eu sabia o que estava fazendo mas não conseguia controlar, uma fúria
tomava conta de mim e pronto La estava eu fazendo o que havia jurado nunca
fazer . Coitados, meus pais sofreram muito pois sabiam o que estava
acontecendo, tentavam conversar mas de nada adiantava.
Meu filho já estava com quase um ano e eu ainda não o
conhecia. A droga que me dava tanto prazer estava tirando as coisas mais
importantes de minha vida, esse caminho é só de ida.
Logo passei a fazer uso de drogas injetáveis e também surgiu
o craque por ser mais barato.
Via o sofrimento de meus pais então resolvi não voltar mais
para casa, passei a morar nas ruas, conheci a cracolandia e também o crime,
roubei, matei, estuprei e fui preso.
Jogado em um presídio, como não tinha documentos e já não
sabia mais nada sobre mim mesmo, estava fadado ao exílio total. Meus pais me
perderam, não conseguiam me encontrar, até que desistiram de mim. Eu já estava com 23
anos esquecido em um presídio do interior vivendo como um animal totalmente associável.
A abstinência das drogas me tornava insuportável,
me sentia mal, tinha muita febre, meu corpo doía, já não tomava sol, só queria
ficar na cela mal me alimentava, um dos presos pediu ao carcereiro que me
encaminhasse ao departamento medico, foi quando descobri que tinha AIDS . A
noticia não me abalou pois não esperava mais nada da vida a não ser a morte,
talvez fosse essa a melhor solução para uma vida inútil e tão desprezível, nunca
pensei em Deus acho até que não acreditava em sua existência, não me cuidei, só
deixei acontecer .
E ca estou relatando uma existência vazia, minha passagem
pela terra não acrescentou nada a ninguém, é como se não tivesse acontecido.Hoje
me encontro em tratamento e penso: Como
podia ter sido diferente minha passagem pela vida, a felicidade esta sempre
onde nós esquecemos de procurar, está nas coisas que nunca damos valor e nas
coisa que nos passam despercebido, como o amor dos pais,as realizações
profissionais, como a verdadeira amizade, como o amor a Deus, como acreditar no
ser humano e na caridade.
E se há alguma forma de tornar minha passagem útil, é
relatar a vida miserável que tive por conta das drogas e a busca ilusória deque
o caminho mais fácil seria o melhor .
Se Deus me conceder nova oportunidade, espero fazer as
escolhas certas em busca da verdadeira felicidade.
AGRADEÇO AO IRMÃO
MARCOS SILVA MEDEIROS PELA
MENSAGEM ENVIADA EM 24.01.2014
Linda mensagem. Seria importante se os jovens soubessem o que fazem com suas vidas ao entrarem para esse mundo tão destruidor.
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