segunda-feira, 9 de junho de 2014

UMA BOLA

 UMA BOLA
Eu morava numa cidadezinha muito pequena , os únicos trabalhos disponíveis era na roça , me lembro muito bem da dificuldade que meu pai passava para nos dar sustento , muito do que se comia vinha de uma pequena roça que minha mãe cultivava junto de nossa casa . Não tínhamos conforto algum, era uma casa de pau a pique de apenas um cômodo sem água e nem energia elétrica , a mamãe cozinhava numa fogueira com tijolos improvisando um fogão  na parte de fora da casa , a coitada tinha apenas duas panelas velhas que havia ganhado sei lá de quem .
Lembro dela sempre triste , um olhar sofrido , suas feições revelavam uma idade muito acima da real, estava sempre com um pano amarrado na cabeça, acho que era por vergonha de seus cab elos maltratados , nunca sorria , pois isso mostraria uma boca desdentada , nunca me abraçava nem falava comigo a não ser o estritamente necessário .
Acredito que essa falta de carinho se dava por ela nunca ter tido isso de seus pais , mas acho que do jeito dela me amava .
Meu pai, á, que dó! Um resto de ser humano , o trabalho na enxada havia dilacerado sua coluna , caminhava torto , com grande dificuldade . Saia cedinho para o trabalho e voltava no final da tarde , as vezes havia janta , mas geralmente sentava-se num tronco fora de casa e pedia para minha mãe que com um pano molhado de uma água saloba aliviasse suas feridas que devido a tanta exposição ao sol nunca se fechavam .
Hoje eu sei, era câncer , mas como nunca havia tido uma consulta com um médico , achava que iriam sarar um dia .
À mim, nunca dedicara um minuto de atenção , porem aos cinco anos de idade já me levava para ajudar na roça , e assim foi até meus nove anos .
A doença de meu pai se agravou muito, já não consegui mais trabalhar e o que já era ruim piorou, fui obrigado a assumir o trabalho de um pai. Minha mãe definhava e sua pouca saúde se esvairia , certo dia ao retornar do trabalho encontrei meu pai aos prantos , ao seu lado um corpo estendido .
Caminhei alguns quilômetros até o pequeno centro daquele lugar esquecido pela humanidade em busca de ajuda , enterramos minha mãe lá mesmo .
O tempo ia passando e lá estávamos eu e meu pai vivendo nem sei como. Aquele homem sofrido, doente que quando bom já pouco falava , calou-se em seu sofrimento , vez ou outra notava que dirigia seu olhar em minha direção , sentia toda angustia daquele ser que já não alimentava nenhuma esperança em sua vida .
Estava eu preso , minha vida estava simplesmente amarrada nada podia ser feito , eram dois a espera da morte .
Eu já tinha doze anos quando meu pai faleceu , o enterramos ao lado de minha mãe .
Pensei : e agora estaria livre para seguir minha vida ? não , a liberdade não me alcançou. Como sair de lá ? como ir pra cidade ? eu nada sei ! mas se ficar aqui vou morrer assim como meus pais .
Depois de algum tempo tomei coragem e fui embora , parei na frente da casa , fitei-a com um olhar enigmático . Aquela cena estaria incrustada em minha mente . Segui rumo a uma nova vida , com uma pequena trouxa de pano onde coloquei o chapéu de couro , lembrança de meu pai , o único cobertor que pouco me servia devido ao calor persistente por aquelas bandas e a esprança de uma vida diferente .
Chegando a cidade ,sem ter onde ficar, sentei-me no banco da única praça e lá fiquei por três dias , comi o que uma ou outra alma bondosa me oferecia .
Eu, um garoto de doze anos , maltrapilho, sem instrução, nem falar direito sabia , lá estava exposto ao preconceito e ao desprezo .
Já não sabia mais se tinha tomado a atitude certa, pois saí com medo de morrer naquele fim de mundo e agora estava com medo de morrer naquele banco .
Então lembrei-me : minha mãe certa vez me falou de Deus e disse que ele sempre nos acode nos momentos difíceis. Então porque não havia dado um alento a minha vida, que castigo eu merecera? Porque,porque,porque.
Cai em pranto . Quando menos esperava senti alguém b ater em minhas costas , virei e vi um senhor negro de fala grossa porém doce , disse-me : calma garoto, seja o que for daremos um jeito , agora me conta, porque tamanho desespero?.
Lá ficamos por horas conversando. Qual é o seu nome menino? Antonio. Pois bem , o meu nome é Sebastião o povo me chama de Tião, não moro aqui, só estou de passagem , não tenho muito a oferecer mas se quiser pode vir comigo, vou te ajudar.
Enfim , alguém se interessou por mim, esbocei um tímido sorriso e aceite , pois que outra alternativa teria?.
Tomamos um ônibus e viajamos umas três horas , chegamos a cidade onde o senhor Tião morava, poucas palavras trocamos durante o caminho,ao chegar em sua casa chamou sua esposa e me apresentou . Zulmira este é Toninho ele irá morar conosco, depois te explico tudo.  Sirva-nos uma b ao refeição, prepare uma cama e veja se temos algumas roupas que sirvam para ele, também prepare um bom banho ele deve descansar e nós temos muito para conversar.
Zulmira assim fez, e Toninho que a tempo não tomava banho e nunca havia dormido em uma cama , desfrutava com grande alegria aquele momento, um pensamento  lhe veio à mente ; será que Deus me escutou , será que também morri e isto não é verdade , tenho medo de acordar deste sonho maravilhoso. Enfim adormeci estava cansado e a novidade da cama me seduziu. Tanto conforto, roupa limpa, banho tomado, alimentado era a melhor coisa que havia experimentado em toda minha vida.
Enquanto Toninho dormia, Tião conversava com Zulmira, após explicar-lhe tudo, Zulmira concordou em ajudar o menino e comentou: Tião você estará substituindo o nosso filho que se foi? Não sei mulher, só sei que tenho que ajudar, nada mudará o amor que tinha pelo nosso filho, mas temos uma cratera imensa em nosso coração, quem sabe se de algum lugar nosso filho esta nos ajudando a curar tamanha ferida colocando esse rapaz em nossas vidas, não te peço  que tenha tamanho amor por Toninho, mas vamos fazer por ele o que não pudemos fazer por nosso filho.
Toninho acordou cedo , Tião já havia saído para o trabalho. Sentia-se leve e bem disposto mas totalmente perdido. Foi até a cozinha onde estava Zulmira que ao vê-lo disse-lhe ; bom dia, dormiu bem? , sim senhora . Então sente-se e tome seu café e coma em pedaço de bolo fiz ontem a noite , é de fubá, fiz cremoso do jeito que meu filho gostava experimente . Onde esta seu filho? Deus o levou há alguns anos  seu nome era Fernando tinha mais ou menos a sua idade quando se foi e não pude mais ter filhos, vamos mudar de assunto. Sim senhora, obrigado por ter me acolhido e pelas roupas, agradeça ao senhor Tião por mim.
Espera menino, onde pensa que vai? Esta é sua casa agora. Lagrimas rolaram em ambos , Toninho correu a um forte abraço, Zulmira foi pega de surpresa em emoção , aquele abraço gerou uma energia tão forte que podia-se sentir um forte perfume no ar , ambos sentiam-se como se flutuassem , o sol mandou um facho de luz que os atingiu e aqueceu seus corpos a descarga de amor marcou aquele momento como quem assina um contrato para o resto da vida .
Passado esse momento sublime, Toninho indagou : o que devo fazer, preciso trabalhar para ajudar vocês. Não Toninho você já trabalhou muito pela sua idade, você sabe ler e escrever? Não senhora nunca tive a felicidade de ir  uma escola. Então me de seus documentos e venha comigo , vamos matricular você na escola.
O senhor Tião conversava muito com Toninho todas as noites, fazia questão de ver seus cadernos, Toninho já se destacava na escola, mesmo atrasado em relação a idade sua dedicação e vivacidade pouco a pouco compensava as diferenças .
Enfim podia se dizer que era uma família feliz,o amor os envolia.
Os anos foram passando , Toninho se formou, já chamava Tião e Zulmira de pais embora respeitasse seus pais biológicos e sua história .
Tião já com Idade avançada viu sua saúde abalada, estava aposentado,Zulmira se desdobrava em cuidados, mas Tião caiu de cama já não tinha força nas pernas. Toninho chocado temia passar por tudo aquilo novamente, costumava ficar por horas ao lado da cama conversando. Certo dia Tião chamou Toninho e com voz embargada lhe disse : filho, tenho enorme orgulho de você , sua historia  é triste mas fica tranqüilo , não irá se repetir, sei que disponho de pouco tempo com vocês, mas saiba que Deus colocou você em nosso caminho para que houvesse novamente luz em nossasvidas, e a felicidade nos brindou novamente. Não sei como e nem porque nosso verdadeiro filho não pode nos ter dado as alegrias que temos. Mas Deus em sua infinita bondade colocou você em nossas vidas, nós o amamos como um verdadeiro filho.
Pai, já sofri bastante nessa vida, não quero perder você , tenho impressão que carrego algo de ruim pois se você se for não sei o que farei. Não se desespere filho, Deus sabe o que faz. Agora vá estou cansado e quero dormir , faça companhia a sua mãe.
Alguns meses se passaram, Toninho conseguiu um bom emprego em uma industria como auxiliar de escritório, devido ao seu interesse e vivacidade logo foi promovido a um cargo melhor, cuidava daquele pai com muito carinho, mas o inevitável  aconteceu . Senhor Tião faleceu, Toninho sofreu mas teve serenidade para entender os desígnios de Deus e como era da vontade de seu pai, continuou se dedicando ao trabalho , conquistou cargos na empresa e se tornou  um alto executivo para orgulho de Zulmira que indagava, porque você não arruma uma moça para casar e constituir sua família, e a resposta era sempre a mesma : calma mãe , haverá tempo para tudo.
Na verdade ele tinha medo, não queria abandonar os cuidados de Zulmira que também estava velhinha e que dia mais dia menos teria que seguir os caminhos por Deus determinados.
Ainda passaram-se alguns anos até que Zulmira faleceu. Toninho, homem  feito, não se casou tinha medo pois por duas vezes se viu sozinho e não admitia a hipótese de causar tal sofrimento a alguém.
Um amigo da empresa certa vez o chamou para ir a um culto numa igreja evangélica, ele gostou e começou a freqüentar , participou de diversos grupos de estudo do evangelho e encontrou rumo para sua vida, tornou-se pastor Toninho , aprofundava-se nos estudos e em um culto por ele ministrado atendeu a um irmão que se dizia possuído, com a mão direita sobre sua fronte sentiu um arrepio que lhe correu a espinha, tonteou e foi amparado por seus irmãos . O que houve, que aconteceu? , você desmaiou pastor. Nossa por alguns momentos senti a presença de meu pai. O senhor precisa se acalmar e descansar , nada que uma boa noite de sono não resolva.
Mas aquela sensação lhe perturbara de tal forma que não conseguia esquecer. Deitou-se e dormiu, em seu sono teve uma experiência estranha, levantou-se e viu o seu pai  biológico em seu quarto. Pai ! o que esta fazendo aqui ? , precisava lhe falar,muito tempo se passou e hoje entendo melhor as coisas, quero te pedir perdão filho, quando pude desfrutar de teu amor não dei importância, não dei valor aos cuidados de tua mãe, não te ensinei nada e nem fiz questão . hoje vejo que errei muito e quero que me perdoe, ainda não encontrei a tua mãe, mas preciso pedir perdão a ela também, não conseguirei progredir carregando essa culpa. Pai não lhe culpo por nada , sua vida foi dura , sua infância foi como a minha, sua passagem talvez tenha sido meu passaporte para a liberdade, nunca lhe culpei por nada , passamos o que temos que passar. Que bom meu filho, você me deu o remédio que precisava, agora sigo com minha carga mais leve à procura de sua mãe. Adeus filho , bem ora nunca demonstrei saiba que sempre te amei.
continuo na cama? . Pai todo poderoso o que esta acontecendo comigo? . Fiquei apavorado e acordei assustado.
Como explicar tal experiência será isso ob Ra de Deus ? . No dia seguinte procurei alguns irmãos mais experientes e relatei o ocorrido, mas nenhum deu a importância que eu julgava necessária. Até que uma irmã recomendou que eu lesse um livro chamado nosso lar e lá encontraria explicação para o que ocorre, e assim o fiz , fiquei encantado e comecei ter uma visão mais abrangente da vida após a morte.
Hoje sou um espírito desencarnado, em vida sofri, em vida aprendi o valor do amor, estive em companhia de pessoas capazes de dar amor incondicional, o sofrimento depura a alma , a vida na terra nos da a oportunidade de nos redimirmos ante a erros do passado. Crer em Deus e seguir seus caminhos não tem que ter rotulo algum, o certo e o errado são escolhas que independem de credo. Amor, bondade,caridade e irmandade são a base da vida espiritual feliz.

EXPLICAÇÃO
Hoje senti enorme vontade de escrever, então pensei: acho que vou escrever sobre um menino e sua bola.
Por isso o nome deste relato é BOLA , porem ao começar escrever o rumo foi alterado.
Agradeço ao plano superior e principalmente ao irmão Toninho , que Deus o abençoe.
LAERCIO
07/09/2013.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

VITÓRIA

VITÓRIA.
Sim,  em uma das minhas viagens pelo interior , fomos visitar um lugar distante , um ponto turístico ,  lugar de mata fechada com varias nascentes e uma queda de água muito linda , próximo a este lugar havia uma casinha de pau a pique onde vivia uma família. Ficamos admirados e curiosos , como alguém podia viver num lugar tão afastado , pensamos que talvez tivessem carro para que pudessem ir a cidade fazer compras ou ir a um medico ou quem sabe suprir suas necessidades básicas . A curiosidade  fez com que fossemos ate La , conhecer um pouco daquela família , ao nos aproximarmos o cachorrinho magricelo e mau cuidado começou a latir freneticamente  anunciando nossa chegada , fomos atendidos por uma senhora de lenço na cabeça, uma roupa simples ,um aspecto sofrido como já era de se esperar em vista do cenário que se apresentava , timidamente nos deu bom dia , as suas costas duas meninas agarradas na saia da mãe,olhos arregalados feito duas enormes jabuticabas .
Me apresentei, bom dia senhora meu nome é Matilde e este é meu esposo Rodrigo. Estamos de passagem vimos sua casa tão afastada da cidade e resolvemos lhe fazer uma visita . Me chamo Aparecida a sora me descurpa nun te nem um cafezinho pra oferece, qué entra, senta vo chama meu marido . Foi até a porta e com um grito agudo e desafinado chamou , Zé vem Ca temo visita. As meninas olhavam admiradas , uma mais nova com aproximadamente com uns oito anos e a mais velha aparentava quatorze a quinze anos . Enquanto se Jose não chegava perguntei  o nome das meninas  a mais velha chamava-se Antonia (Toninha) e a mais nova Maria . Perguntei : dona Cida, desculpe a curiosidade, mas não é ruim viver tão longe da cidade.É muito se pelo menos nois tivesse uma carroça pra leva a gente seria meió . E como a senhora faz para comprar mantimentos e outras coisas. Oi moça nois num compra nada , num temo dinhero pra nada. E como vocês vivem . Nois como o que prantamo e as veis o Zé caça um bicho então nois come carne .
Fiquei chocada, achava que era impossível nos dias de hoje alguém viver de maneira tão rude, vendo o meu silencio Rodrigo se interpôs e perguntou para  Toninha : Voce estuda, ela respondeu não sinhô aqui num tem escola pra nois i . Agora quem se calou foi o Rodrigo , o silencio tomou conta do ambiente ainda bem que chegou o senhor José . bom dia, é bão vê gente por aqui, bom dia Sr José , pode me chama de Zé memo , é assim que me conhecem . Me chamo Rodrigo muito prazer em lhe conhecer , me permita uma pergunta  Zé , porque vocês vivem tão afastados da cidade ? oi moço, fui criado na roça num gósto dessas coisas de cidade.Mais suas filha não estudam e o tempo esta passando ,como vai ser daqui alguns anos quando forem adultas ? vai se como é.  Essa resposta foi  um ponto final na minha capacidade de compreensão . Chamei a Matilde e disse : bom esta na hora de irmos ,foi um prazer conhece-los, Matilde estava atônita ,totalmente perdida em seus pensamentos , se despediu das meninas da dona Cida e seu José, seguimos em silencio total até o carro  e assim permanecemos até chegarmos no hotel. Descemos para o almoço e quando olhei pra mesa farta não tive coragem de comer, olhei  pra Matilde  e notei que ela nem havia tocado na comida, trocamos olhares que expressavam profundo sentimento de culpa , como podíamos desfrutar de mesa tão farta sabendo que em outras mesas  mal havia o que comer, sim estava pensando naquela família, o olhar daquelas meninas não saia de minha mente. Matilde , não posso comer  quero ir embora pra casa estou me sentindo o lixo da humanidade. Matilde concordou  pedi a conta e encerramos nossa viagem.
O tempo foi passando,  mas aquela experiência nunca se apagou, Matilde sempre comentava : Como estará aquela família ,e aquelas meninas sem estudo , sem perspectiva de vida. Rodrigo, me sinto tão mal por ter deparado com tal situação e não ter feito nada pra ajudar , já se passou  um ano e isso não saiu da minha cabeça, quero voltar lá , vamos fazer uma bela compra e levar pra eles , não podemos ficar inertes ao deparar com o sofrimento dos outros. Ok meu amor , providencie tudo , amanhã acordamos cedo e vamos ate lá . Assim fiz, no dia seguinte partimos  rumo àquele lugar.
Ao chegar deparamos com a mesma cena, parecia que nada havia mudado o cachorro anunciou nossa chegada , a dona Cida veio nos receber , mas algo estava diferente , onde esta a Toninha? Perguntei à dona Cida . Ela partiu, ah foi pra cidade? Não  morreu . tonteei quase fui ao chão , Rodrigo não se conteve e logo perguntou-lhe: como , o que aconteceu ? oi moço é uma história compricada . - Pois conte . - A Toninha tinha tomado corpo e o safado do pai dela vivia de graça com ela  ai um dia escuitei  uma gritaria no mato , o Zé pegou a Toninha na marra e machucou a menina , nois brigamo muito e ele foi imbora. Rodrigo estava indignado esbravejava, safado sem vergonha esse homem tem que ser preso , vamos por a policia atrás dele,- Para Rodrigo quero saber da Toninha , conte dona Cida. Pois é a Toninha embuxo , eu aqui suzinha esperei a criança nasce , mais arguma coisa num deu certo despois de uns treis dia ela tava com muita febre e nem falava coisa cum coisa nem comida ela queria , ai deu no que deu . - sim mas, e a criança também morreu?, - não senhora , ela ta lá no quarto drumindo .
 Nem perguntei se podia ver a criança , corri pra lá e vi uma menininha deitada no chão enrolada  em uns panos velhos e sujos o cheiro daquele quarto  era horrível , quando desenrolei a criança quase vomitei  a pobrezinha estava suja  com o corpo cheio de feridas de assaduras  que não haviam tido o menor cuidado,  gritei : Rodrigo rápido venha cá , entrei correndo no quarto , essa cena fez uma marca em meu cérebro que nunca mais se apagaria , então  disse à Matilde : precisamos levar essa criança ao medico imediatamente , chamei  dona Cida para ir conosco pois não poderia carregar a criança sem autorização de uma pessoa responsável  .
Assim que chegamos ao hospital demos entrada no pronto socorro pediátrico , graças a Deus encontramos um medico experiente e dedicado  que nos deu toda atenção , carregou a menina para enfermaria ,chamou uma enfermeira , mandou que desse um banho na criança e logo em seguida a examinou .
Passados alguns minutos nos chamou para dar relato de suas conclusões : Esta criança nasceu prematura , esta muito debilitada , em um quadro grave de subnutrição vamos levá-la a UTI , porém não alimentem muitas esperanças , agora não depende mais de nós .
Matilde voltou à recepção para fazer a ficha de entrada no hospital, carregou a dona Cida para dar as informações para a internação de criança, e mais uma surpresa . A criança não havia sido registrada e não tinha nome , pedimos então os documentos da mãe da nenê , pior esta também não tinha documentos  por sorte a avó tinha RG.
Eu fiquei no hospital enquanto Rodrigo levou a dona Cida pra casa pois lá havia ficado a outra filha a Maria .
No caminho dona Cida me disse com a maior simplicidade e desapego: fica com a criança, não tenho como cuidar dela , se ficar comigo vai acabar morrendo . Nada respondi , fui apanhado de surpresa  só consegui pensar em Deus e questionei : Pai porque me deste esta missão, não me julgo merecedor de tal confiança por  ti depositada a mim, guia meus passos Pai eterno , não sei o que fazer. Parei o carro , dona Cida desceu e disse : fica sim , por caridade e seguiu rumo a sua casa.
Dei partida no carro , andei alguns minutos ,minha cabeça cheia de questionamentos e não tive como continuar , o pranto me havia tomado conta , desci e me ajoelhei em meio aquela mata e pedi:  socorro meu pai , me ajuda estou perdido tenho medo , porque isso foi acontecer comigo.
Então , e meio ao meu pranto uma voz feminina que vinha não se sabe de onde me chamou pelo nome , Rodrigo você e sua esposa Matilde receberam essa missão no dia de seu passeio quando conheceram essa família , essa criança vai viver sim e precisa muito de vocês , as portas vão se abrir para que você consiga a guarda  dela , não tema , vocês receberam uma grande benção  a Toninha esta conosco em tratamento e tenha certeza nós e ela estaremos olhando por vocês.
E assim como veio se foi , ainda chorando tomei coragem e voltei ao hospital , contei a Matilde o que havia acontecido e esta me disse que enquanto estava no sofá da sala de espera do hospital havia recebido a mesma mensagem , e por isso estava mais tranqüila quanto a recuperação da pequenina que nem nome tinha.
Durante os dez dias seguintes onde  a pequena permanecia em recuperação Rodrigo providenciou a documentação de guarda provisória da criança , até que a adoção fosse autorizada . Madalena nunca deixou de passar uma noite se quer em companhia  da criança a qual já teria escolhido e dado o nome de Vitoria .
Madalena e Rodrigo se tornaram pais orgulhosos e Vitoria cresceu estudou se formou e se tornou Dra. Vitória , pediatra que desenvolveu um magnífico trabalho junto as comunidades carentes , conheceu sua historia e amou os pais como verdadeira filha.

LAERCIO

28/4/14