sexta-feira, 4 de abril de 2014

0 RELOJOEIRO

Lá estava eu, na sacada do sobradão onde trabalhava como relojoeiro.
Sempre após o almoço sobrava tempo de observar a calçada. Era uma rua de comércio muito ativo, pessoas andando num frenesi intensopara todos os lados. Gostava de imaginar para onde vão, de onde vem, o que passa na cabeça de cada uma delas, porque tanta pressa ?
Algumas com caixas grandes que eu imaginava ser produtos de revenda, outros com sacolas que provavelmente eram produtos para consumo próprio, uns visivelmente abastados,outros simplórios. Ficava encantado com tal movimento.

Certo dia em minha observação, vi uma senhora que se locomovia com grande facilidade entre os transeuntes, esbanjava alegria e simpatia, transmitia uma paz tão grande em seu olhar que inibriava a quem cruzasse o seu camiho. Isso me deixou curioso e passei a procura-la todos os dias la de cima na sacada, e a cena se repetia. Quem era aquela senhora ? como conseguia ser tão amavel sem trocar uma palavra com quer que fosse ? precisava conhece-la , não aguentava mais de curiosidade. Então pedi ao meu patrão para que permitisse permitisse ausentarme no periodo da tarde com a desculpa de precisar resolver assuntos  particulares , queria eu poeder conversar com ela pois mesmo sem conhece-la já havia desenvolvido enorme simpatia e admiração .

Então naquela tarde aklmocei rapido e desci a procura de tal senhora . Me postei em seu caminho habitual e a aguardei, o tempo passava, estava ansioso não via a hora de tão desejado encontro. Mas cadê ? , onde esta ? , porque deora?. Normaklmente a esta hora ela já esta por aqui. Será que algo aconteceu e ela não pôde vir ?, justo hoje que eu decidi encontra-la.

As horas passavam e tal senhora não aparecia , e assim foi até o final da tarde . Era uma quinta feira e como de costume à noite eu frequentava o centro espirita onde a anos me dedicava ao trabalho de auxílio aos irmãos que procuravam algum balsamo para suas aflições . Logo após o início dos trabaklhos, já em total concentração, ouvi alguém me chamar : LAURINDO , uma voz suave, um perfume que me dava a impressão de estar em um campo florido de diversos tons aromáticos , estava totalmente embriagado e fascinado , nunca havia tido tal experiência.. Procurei então saber , de onde vinha tal vóz , quem estava me chamando ?, então consegui ! . Bem na minha frente surgiu um vulto que aos poucos foi se definindo e quando se tornou claro , a vi. Para minha surpresa era ela , a mulher que havia passado a tardetoa a procurar . fiquei extasiado, minha voz não saia , uma tremedeira tomou conta de meu corpo .Com voz de anjo me disse : Acalme-se LAURINDO não ha o que temer , não é de hoje que procuro contato com voce, e agora consegui permissão para isso . Hoje sou uma mulher feliz ,mas nem sempre foi assim , passei por muitos problemas enquanto encarnada , estive por longo periodo em tratamento no plano espiritual e hoje estou curada, graças a pessoas como voce que me atendeu e deu alento a minha dor com atenção,compreenção e mais que tudo, orando e pedindo intercessão do plano superior a meu favor. Suas orações foram tão sinceraas e fervorosas , seu coração se abriu em fé e amor ao próximo de tal maneira que klogo após meu desencarne fui encaminhada ao tratamento, encontrei irmãos que em minha vida havia prejudicado e obtive perdão de meus atos condenaveis . Portanto, quero além dete agradecer por ter me guiadoe ter doado tanto amor, dizer que estou incumbida de te acompanhar nessa luta incanssavel de dar amor aos irmãos que como eu fui em vida carente de afeto . Veja só o que sua oração, fé e desprendimento foi capaz de fazer.

Continue , você é um ser iluminado, doravante te acompanharei nos trabalhos , meu nome é MAFALDA .

Pra você que leu esta narrativa , saiba : Hoje desencarnado que sou, digo com toda segurança , quando se pratica o bem com sinceridade e amor ao próximo , sertamente serásrecompensado.

IRMÃO LAURINDO 5/5/2013.      por Laercio.

sexta-feira, 14 de março de 2014

UMA GRANDE LIÇÃO

Minha infância foi normal. Acho. Ia a escola, jogava futbol e outras brincadeiras de criança. Assim cresci.
Pai ausente , pois só pensava em seu trabalho, chegava em casa cansado e pouca atenção me dava, mas era um bom homem . Talvez por ter delegado a tarefa de educar à minha mãe, não se importava por meus assuntos. Já minha mãe cuidava da casa e para ajudar financeiramente costurava pra fora, e com esses afazeres permitia que eu ficasse o tempo todo na rua, brincando com os amigos. O tempo foi passando e eles nem perceberam que eu estava crescendo e chegando a adolescência e com ela a minha curiosidade por coisas que não eram boas. Um amigo me ensinou a fumar, e com 13 anos já me juntava a um grupo de rapazes fazendo vaquinha para comprar cigarros. Fui crescendo e outras coisas surgiram, experimentei a maconha da qual não me livrei mais, parei de estudar e ficava o dia todo na rua. Minha mãe pedia pra que eu ficasse mais tempo em casa, porem sua autoridade já não mais tinha efeito, eu a respeitava , mas não conseguia ficar sem tal adrenalina. Aquela sensação de poder e de alegria trazida pela maconha me fazia bem, me dava coragem, tornava-me um homem, vez ou outra fazia um bico e conseguia dinheiro para meu vicio.
Certo dia, um rapaz que havia vindo não se sabe de onde, ofereceu àquele nosso grupinho uma balinha de cocaína e nos ensinou a cheirar. Nossa foi um êxtase total, nunca havia sentido tal sensação, flutuei, vi coisas, o ar fluía pelos meus pulmões como uma ventania deverão,que maravilha. No dia seguinte ele voltou e novamente pudemos experimentar aquele elixir que nos carregava para outros mundos onde tudo podia, e tudo nos era possível. Mas no terceiro dia, La estávamos esperando o tal rapaz, precisávamos sentir tudo aquilo novamente, sabíamos que não era legal, mas achávamos que conseguiríamos parar e isso não nos faria falta. Bom o rapaz chegou e tinha varias balinhas, mas disse que não poderia nos dar sem que pagássemos. Ninguém tinha dinheiro, então disse que sabia onde minha mãe guardava o dinheiro das costuras, e encorajado pelos amigos fui em casa e peguei, não tudo, somente o suficiente para aquela vez, pois não me tornaria um ladrão, e ainda mais de minha própria mãe. No outro dia um amigo arrumou o dinheiro, não sei como , mas também não me interessou, e novamente fizemos uso da cocaína, e durante um bom tempo um ou outro arrumava dinheiro para a droga. Certo dia , ninguém havia conseguido dinheiro, estávamos desesperados, o rapaz nos ofereceu fiado e disse não ter problema, poderíamos pagar outro dia, e assim vínhamos fazendo, já não podíamos ficar sem a coca, quando o efeito passava me sentia fraco, ficava irritado com qualquer coisa,brigava muito com meus pais, os ofendia cheguei até a agredi-los , eu já estava com 17 anos , não trabalhava e só queria saber de me divertir.
Conheci uma moça e começamos a namorar, ela não sabia que eu usava drogas, eu procurava esconder esse vicio. Ela engravidou e eu não quis assumir e nós nos separamos .
Os momentos de depressão foram piorando a cada dia, eu precisava mais coca, o traficante estava no meu pé , pois queria receber, eu que não admitia roubar meus pais , não resisti e comecei a roubar, sim haviam momentos de lucidez e eu sabia o que estava fazendo mas não conseguia controlar, uma fúria tomava conta de mim e pronto La estava eu fazendo o que havia jurado nunca fazer . Coitados, meus pais sofreram muito pois sabiam o que estava acontecendo, tentavam conversar mas de nada adiantava.
Meu filho já estava com quase um ano e eu ainda não o conhecia. A droga que me dava tanto prazer estava tirando as coisas mais importantes de minha vida, esse caminho é só de ida.
Logo passei a fazer uso de drogas injetáveis e também surgiu o craque por ser mais barato.
Via o sofrimento de meus pais então resolvi não voltar mais para casa, passei a morar nas ruas, conheci a cracolandia e também o crime, roubei, matei, estuprei e fui preso.
Jogado em um presídio, como não tinha documentos e já não sabia mais nada sobre mim mesmo, estava fadado ao exílio total. Meus pais me perderam, não conseguiam me encontrar,  até que desistiram de mim. Eu já estava com 23 anos esquecido em um presídio do interior vivendo como um animal totalmente associável.  A abstinência das drogas me tornava insuportável, me sentia mal, tinha muita febre, meu corpo doía, já não tomava sol, só queria ficar na cela mal me alimentava, um dos presos pediu ao carcereiro que me encaminhasse ao departamento medico, foi quando descobri que tinha AIDS . A noticia não me abalou pois não esperava mais nada da vida a não ser a morte, talvez fosse essa a melhor solução para uma vida inútil e tão desprezível, nunca pensei em Deus acho até que não acreditava em sua existência, não me cuidei, só deixei acontecer .
E ca estou relatando uma existência vazia, minha passagem pela terra não acrescentou nada a ninguém, é como se não tivesse acontecido.Hoje me encontro em tratamento e penso:  Como podia ter sido diferente minha passagem pela vida, a felicidade esta sempre onde nós esquecemos de procurar, está nas coisas que nunca damos valor e nas coisa que nos passam despercebido, como o amor dos pais,as realizações profissionais, como a verdadeira amizade, como o amor a Deus, como acreditar no ser humano e na caridade.
E se há alguma forma de tornar minha passagem útil, é relatar a vida miserável que tive por conta das drogas e a busca ilusória deque o caminho mais fácil seria o melhor .
Se Deus me conceder nova oportunidade, espero fazer as escolhas certas em busca da verdadeira felicidade.


AGRADEÇO AO IRMÃO   MARCOS SILVA MEDEIROS   PELA MENSAGEM ENVIADA EM 24.01.2014